Vizinhos sofrem com barulho de cultos
Publicado em 09.01.2008
Irritados com o volume alto dos louvores e do som de bandas que acompanham os fiéis, vizinhos de templos religiosos em Belo Horizonte ficaram decepcionados com o projeto aprovado pelo Executivo (que flexibiliza as punições em situações de desacato com multas mais brandas). No bairro Paulo VI, região Nordeste da capital, moradores da rua São Cirilo já perderam a paciência por causa do barulho que escutam em suas residências durante a celebração dos cultos de uma igreja Batista. Segundo uma moradora que preferiu não se identificar, vários apelos já foram feitos ao pastor para que seja providenciado um isolamento acústico, mas todos sem resultado.
Conforme a mulher, o barulho a impede de fazer atividades simples, como ver televisão e falar ao telefone. “Tem sábado que os cultos começam às 8h e só terminam depois das 22h”, afirmou. Usando um decibelímetro, a reportagem fez a medição na casa da família às 20h30. Antes de começar a celebração foram medidos 29 dB, enquanto no decorrer do culto, houve registro de 71 dB. O índice contraria tanto a legislação em vigor quanto o projeto do Executivo, que permitem níveis até 60 dB para o horário.
De acordo com o pastor Paulo Roberto do Nascimento, 50, da igreja Batista no bairro Paulo VI, existe uma intenção da instituição em realizar o isolamento acústico no local, mas por enquanto não há previsão devido à falta de recursos. “Nos cultos da manhã não usamos mais instrumentos musicais e estamos providenciando uma barreira de som para a bateria. Também aumentamos o muro ao lado de uma casa vizinha e mudou a posição das caixas de som. Não tiro a razão das pessoas. Inclusive temos intenção de comprar o imóvel de uma vizinha que é uma das mais prejudicadas e ela também quer vender”, disse.
Na rua Angustura, bairro Serra, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, a reclamação é a mesma. Vizinhos já fizeram várias queixas à polícia e pelo Disque-Sossego contra um templo religioso. Conforme o aposentado Brasil Coelho, síndico do condomínio Oliveira Masra, cujas janelas ficam em frente à igreja, todos em casa têm que falar alto, ouvir TV no volume máximo, ficam nervosos e irritados, além de terem dificuldades de concentração. O síndico afirmou que pessoas que tentam vender seus imóveis na região sofrem com a desvalorização imobiliária provocada pelo barulho do templo. A reportagem tentou, sem sucesso, fazer contato com os responsáveis pelo templo.
Fonte: O Tempo, 07/01/2008