INSTITUTO JETRO - ENTREVISTAS - Fazendo a estratégia funcionar

ENTREVISTAS

Fazendo a estratégia funcionar
Entrevista com Dernizo Pagnoncelli
Publicado em 03.08.2009

As igrejas tem vivido as mais diferentes experiências relacionadas ao processo de planejamento estratégico: desde a não conclusão do planejamento em si até a frustração de ver as metas estabelecidas não serem atingidas.
 
Para compreender o que existe entre o plano e a execução entrevistamos um experiente consultor no assunto. Nesta entrevista ele analisa o porquê das organizações até conseguirem concluir o planejamento, mas não obterem êxito em fazer a estratégia desenhada funcionar.
 
Dernizo Pagnoncelli atua como consultor desde 1974 e juntamente com Paulo de Vasconcelos Filho escreveu o livro Construindo estratégias para vencer!  publicado pela Editora Campus. Além disso, é professor de estratégia em cursos de pós-graduação incluindo PUC/RJ e CENEX-Centro de Excelência Empresarial no Rio de Janeiro onde também é diretor da Pagnoncelli Associados.
 
O escritor Lawrance Hrebiniak afirmou que “Fazer um plano funcionar é um desafio maior do que criar um plano”. O quanto há de verdade nesta afirmação?
 
Dernizo
: Formular a estratégia é difícil, mas implementá-la pode ser ainda mais complicado. Nossa experiência como consultores nos permite afirmar que o professor Hrebiniak está muito correto na sua afirmação. Temos conduzido excelentes planos estratégicos, alguns apresentam resultados enquanto outros por várias causas não se concretizam. O que acontece? Nosso diagnóstico é que não bastam apenas os planos, precisamos transformar os planos em processos. Sair do plano estratégico para o processo de planejamento estratégico.
 
Por que se fala mais em planejar do que em executar?
 
Dernizo: A explicação básica é que a formação dos profissionais está apenas voltada a formulação do plano, deixando o “executar” para a prática, para o campo. A experiência nos ensina que enquanto o processo de planejamento não estiver internalizado na cultura da organização, há necessidade do acompanhamento sistemático e de cobrança para o que foi planejado aconteça. Após a realização do plano estratégico, uma consultoria deve continuar a assessorar a organização até o momento em que este pode ser resumido na expressão de um cliente: “Não sei como eu vivia sem um planejamento estratégico para nos orientar”. Pronto! A partir deste momento, esta organização, esta equipe, incorporou o plano e o transformou em um processo!
 
A culpa de uma execução falha não seria de um planejamento fraco?
 
Dernizo: O ponto crítico é o comprometimento da equipe. Como executar algo que não acreditamos? Se a equipe não se comprometer, se o plano não tiver aderência, dificilmente será implementado, e planos fracos não geram comprometimento da equipe, logo...
 
Quanto o bom planejamento auxilia o processo de execução? Que fatores ou aspectos devem ser considerados para tentar obter uma execução mais efetiva?
 
Dernizo: A mesma lógica. A lógica do comprometimento. Um bom plano com aderência, reconhecimento e aceitação pela equipe tem mais chance de acontecer. Outro ponto crítico além do comprometimento é a participação. Quem participa se compromete! 
 
Geralmente os “planejadores” e os “fazedores” são equipes distintas. De que maneira isso contribui para uma execução falha e como minimizar esta lacuna?
 
Dernizo: É o que chamamos da lógica da participação. Uma coisa é receber um “prato feito” com a ordem de implantá-lo. Outra coisa é implantar o que ajudamos a elaborar. Uma dica é envolver, mesmo que indiretamente, quem vai implantar desde o início do processo de formulação.
 
Qual a importância de indicadores de execução e como uma organização sem fins lucrativos pode estabelecê-los?
 
Dernizo: Aproveito para registrar aqui uma idéia, uma dica e um exemplo. Uma idéia é a frase do livro Mapas Estratégicos de Robert Kaplan e David Norton: “Não se pode gerenciar o que não se pode medir. Não se pode medir o que não se pode descrever.” Uma dica para empresas sem fins lucrativos é a leitura obrigatória do livro do mestre Peter Drucker: Administração de organizações sem fins lucrativos. E finalmente, um exemplo do nosso livro Construindo Estratégias para Vencer! onde apresentamos um caso completo de uma instituição sem fins lucrativos, o Hospital Tacchini de Bento Gonçalves, RS.  No sentido de esclarecer o limite que o hospital poderia ir, o diretor Armando Piletti, citou uma frase que sintetiza este limite e mostra o indicador de desempenho: “O limite da filantropia é o limite da sobrevivência”.
 
E quanto à comunicação? Como ela deve ser trabalhada para facilitar a execução? O mesmo autor citado no início desta entrevista afirma que a estratégia deve ser sempre “traduzida” para os “fazedores ou executores”.
 
Dernizo: Sim, a tradução da estratégia entendida como a apresentação e explicação de todo o plano estratégico e os planos de ação devem ser a parte essencial do plano de comunicação. Não se executa o que não se conhece nem o que não se entende.
 
Considerando a sua experiência de anos na área, que conselhos daria a pastores e líderes que além de inexperientes em planejamento estratégico tem que lidar com equipes de voluntários e não somente com colaboradores contratados?
 
Dernizo: Se há algo imprescindível e que ainda não abordamos nesta entrevista é a liderança. O fazer acontecer está diretamente ligado à existência de uma liderança forte, que saiba aonde quer chegar, e isto pode ser obtido através de um processo de planejamento estratégico.

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